quinta-feira, 27 de maio de 2010

Normal

Eu tinha todos. E eles estavam bem ali, estratégicamente posicionados para, a qualquer simples e não intencional movimentação minha, me "atacarem". 1 metro e 58 cm de altura não são páreos para um bando de moleques cheios de segundas, terceiras... intenções e muita testosterona logo cedo. Eu, praticamente, havia acabado de acordar e me perguntava se seria possível eles simplesmente não perceberem minha total falta de interesse. Exceto por um. Aquele filho-da-mãe, que, sim, entendia todas as minhas mensagens - olhares, sorrisos "tímidos", tentativas modestas de contato físico - mas quis se fazer de desentendido, e era apenas amigável na hora de me devolvê-las. Pensei, mas que porra! Eu poderia mirar em qualquer um aqui, agora e pronto. Mas quero você, com todos os ônus e bônus - muito mais ônus, tenho que admitir - com toda a simpatia que você não tem, com todo o desprezo que você oferece. Eu quero.
A conversa, cheia de idiotices infantis dos meninos, eram apenas ecos, já que eu me dediquei à ocupação de observar atentamente meu Mr. BitterSweet. De braços cruzados, rindo algumas pouquíssimas vezes, ele preferia observar, sem empolgação, as pessoas que passavam ali em volta. Me intrigava esse infeliz. O sinal tocou, então fomos fazer o que deveríamos estar fazendo: estudar. O engraçado é que eu já me sentia tão exausta, mas me lembrei que a porra do dia tinha apenas começado e ainda me restavam mais umas 4 horas de pura irritação, desapontamento e vontade, muita vontade.

Trocas de aula, encontro de olhares, tendo vergonha dos encontros de olhares, intervalo, algumas tentativas de aproximação - frustradas -, me ocupavam, o ocupavam... Deixa essa merda pra lá, decidi.

Eu não sabia se eu queria ir embora logo - não, eu tinha certeza de que eu queira ir embora - mas como dispensar a possibilidade de ficar horas contemplando aquela complicação em pessoa? E como eu queria complicar minha vida com essa maldita pessoa, pra me fazer arrancar os cabelos, me queimar de ciúmes, chorar de raiva e, apesar disso, ainda insistir em ser uma pequenininha "ingênua" presa naqueles braços, nos olhos pequenos e que não diziam nada... aiai.
Acordei com o sinal. 12h 20min. Finalmente, hora de sair daquele lugar que me fazia sentir um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. Era o fim da minha tortura diária. Claro, ainda um pouco irritada, me pus no meu caminho back home, quando fui surpreendida por uma voz grossa, firme, mas calma, dizendo "eu vou com você".
Ah, era o meu Mr. BitterSweet, estampando no rosto todas as intenções que eu tanto quis, há tanto tempo, mas, principalmente, nessa manhã. Eu sorri, e pensei "é mesmo um filho-da-mãe".

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